sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

SEUS OLHOS ME DIZEM MEDO


Quanto medo de ser belo a sua maneira... Medo. Vejo olhos marejados na raça esta tarde. Fim de ano é sempre época de despedidas, reencontros. Vejo muito medo, e isso me assusta.
O que pode nascer de um sentimento tão mesquinho quanto o medo? Receio de segurar e deixar cair, de amar e não ser amado, de jogar e perder.
Hesitação. E tudo que não se precisa nesses dias nublados, cobertos da poeira do torpor, ensimesmados no medo infame do errar, do equivocar-se.
Tenho escutado tantos olhos me falando bobagens sobre medo. Esse mesmo medo que tem feito dos fortes, confusos e de céticos vãos questionadores.
Evolução pessoal só é possível quando se vence as perspectivas que criamos diariamente ao nos olharmos no espelho. Espelho esse que reflete medo. E a mesma palavra ecoa muda quase inaudível pela praça essa tarde, e continuo a observar com uma ponta de duvida todo esse temor enraizado no coração de todos.
Estão feridos por suas próprias expectativas, não conseguem aceitar-se, é perfeição demais!
Quantas perfeições todos na praça almejam essa manhã! Os pombos se pousam sobre o marco zero da cidade, e nesse começo de dia nublado não há migalha de pão ou discursos acalorado de nenhum pregador religioso. Só existe o medo. Perca partida, receio, dispersão, magoa liberdade. Medo. Só vislumbro o medo.
Essas manhãs não se viram beijos apaixonados, discursos escatológicos, ou lamento de mães. Essa manhã, neste dias excessivamente nítido vi um sentimento cancerosos consumindo os homens.
Pela primeira vez desde que aqui cheguei eu senti. Era medo.

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